Dúvidas Eleitorais
Edição 195 – Página 05

Por José Vacir Cogo – Jornalista

O quadro político que Jacutinga vive é no mínimo preocupante. Vemos o Município, com o aval dos vereadores, contrair dívidas, mesmo diante da incerteza que nos espe­ra diante da pandemia do Covid-19 que tem mudado os conceitos da economia mundial.

Esta paralisação econômica decorrente deste isolamento social imposto à população tem gerado desemprego em massa e reflexos incalculáveis na vida daqueles que vivem de atividades autônomas, especialmente as ligadas às vendas, o que certamente refletirá na redução da renda por consequência, da arrecadação do Poder Público.

As obras de pavimentação realizadas no município são bem vindas, mas a qualidade de alguns trechos como o da estrada de Pinhal coloca em dúvida a competência da administração, que permite que empresas aventurem fazer obras de projetos duvidosos para levar o dinheiro dos jacutinguenses e prometem à médio prazo transformar o sonho daquela estrada em um grande pesadelo. Temos que lembrar que o custo destas obras são altos, pois falamos de milhões e não de trocados.

Por outro lado vemos a população carente mesmo antes desta pandemia clamando por moradia, já que o elevado custo dos alugueis na cidade consome grande parte do orçamento familiar, impedindo que vivam com dignidade e possibilidade de realizarem seus sonhos.

O déficit habitacional de Jacutinga hoje gira em torno de 150 casas, mas ao longo dos últimos anos nada se falou ou fez para solucionar este grave problema social. E não poderia ser diferente, já que há quem afirme que o atual prefeito possui dezenas de casas de aluguel na cidade e um projeto para construir casas populares como foi realizado pelo ex-prefeito Darci Cardoso implicaria na redução da sua renda de aluguel.

Mas o deficit habitacional e o endividamento do Município não seriam pontos isolados a serem enfrentados, pois o mais grave deles é a estagnação da economia, o que não pode ser solucionado rapidamente como se asfalta uma estrada.

A solução passa por investimentos nas malharias, que embora não sejam responsáveis por uma receita expressiva para Prefeitura, continua a responder pela maior oferta de empregos no Município, e por consequência, movimenta a economia.

Vale lembrar que a economia de Jacutinga avançou nos últimos anos, graças a chegada do gasoduto trazido pelo ex-prefeito Darci Cardoso e pela diversificação da economia adotada pelo ex-prefeito Noé, que permitiu que o jacutinguense voltasse a sonhar com um futuro melhor com perspectivas de crescimento profissional e financeiro, sem ter que deixar a sua terra e sua família para buscar o seu sustento.

Mas Jacutinga nos últimos quatro anos ficou estagnada, e o pouco que avançou foi graças aquilo que os ex-prefeitos fizeram pela cidade, quando a prepararam para o progresso e o futuro.

Esta política de oferecer cesta básica e auxílio social é medida paliativa, que não resolve o problema e não pode ser mantido por muito tempo, até pela falta de recursos públicos para isto. E já dizia Luiz Gonzaga, o Rei do Baião: “uma esmola a um homem qui é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.

O jacutinguense é um povo trabalhador, capaz e não precisa de esmola, mas de oportunidade para trabalhar e produzir, para que não seja novamente impelido a fugir da fome para São Paulo ou Paraná como ocorreu no passado e que pode voltar a acontecer num futuro próximo se a fome voltar a bater na sua porta.

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