Crítica pelas mortes de Covid contrasta com a falta de remédios e a dificuldade de se conseguir exames para os jacutinguenses,

A Prefeitura confeccionou um outdoor onde se lê “500 mil vidas perdidas LUTO” – foto ao lado – numa clara crítica ao Governo Federal – embora o STF tenha entendido que cabe ao Governo Federal apenas disponibilizar os recursos e aos Govenadores e Prefeitos a sua utilização.
Não bastasse o investimento em ações de interesse político partidário, o que chama atenção é o contraste da ação com a reiterada falta de medicamentos na farmácia da Prefeitura e a dificuldade de se conseguir exames e até atendimento médico especializado aos jacutintuenses carentes.
Vale dizer que o mesmo Governo Federal que é criticado continua enviando recursos à Prefeitura para saúde e educação, mesmo sem as aulas presenciais e atendimento de qualidade. Se não bastasse, há ainda repasses mensais vultuosos de royalts do gás chegando em Jacutinga, sem que a atual administração consiga gerir a falta de remédios de primeira necessidade, especialmente neste período de inverno.
Causa estranheza ainda que diante de tantos recursos – já que o orçamento deste ano vai superar a casa dos R$ 100 milhões – a farmácia da Prefeitura criar programa para arrecadar remédios entre a própria população para suprir a necessidade dos pacientes carentes. É verdade que se trata de uma iniciativa louvável, mas com tantos recursos disponíveis, a população carente tem mesmo que passar por tudo isto para se conseguir um atendimento digno de saúde?
O Município investiu alto também na chamada “Tenda do Covid”, mas com o diagnóstico, não se tem a medicação disponível para tratar a doença. Enquanto se lamenta pelas 500 mil mortes por Covid no País se fecha os olhos para as mortes aqui em nossa cidade. Vale dizer que a dor da morte de um parente ou amigo tende a ser maior que de alguém com quem não se mantinha contato.
Será que os custos do outdoor não seriam melhor empregado se fosse convertido em remédios para atender um número maior de famílias? Gerir a coisa pública exige mais que decidir no que se investir; exige sensibilidade e empatia na dor dos menos favorecidos; e o discurso político sempre foi de mais investimentos em saúde e educação, pois todos sabem que somente com a saúde em ordem e conhecimento se pode mudar a estória da nação, mas tudo deve começar aqui, fazendo o dever de casa, disponibilizando médicos, medicamentos e exames à população antes de se criticar possíveis falhas da esfera superior.
Afinal, mortes são lamentáveis, seja pelo Covid ou pela falta de remédios ou de um diagnóstico preciso que garanta o tratamento adequado, e a saúde básica e de competência e responsabilidade do Município, e isto tem faltado em Jacutinga. Isto sim é digno de luto.

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