Estamos em mais um ano eleitoral, e pelo fato do Tribunal de Justiça ter centralizado a atuação da Justiça Eleitoral para alguns municípios, passando Jacutinga à responder em Andradas quanto as questões eleitorais, mais do que nunca os eleitores deverão estar atentos a atuação dos candidatos, visto que o abuso econômico e o desrespeito as regras
eleitorais prometem ser recorrentes.


Até porque, quando o Juiz da Comarca acompanhava tudo de perto foi alvo de uma lata de cerveja quando tentou coibir um abuso econômico, o que dizer agora com um Juiz alheio a realidade política de Jacutinga.


Todos que vivem em Jacutinga desde 2004 são testemunhas que as eleições em nossa cidade tomaram um caminho sem volta, que tem selecionado os candidatos a prefeito pelo poder econômico ou apoio financeiro. Aquele que não estiver disposto a investir nove dígitos na sua campanha à Prefeito sabe que está fora do páreo eleitoral.


O atual Prefeito afirmou que não houve gastos milionários em sua campanha eleitoral, mas é certo que foi eleito pelo voto de protesto, se valendo da rejeição de seu concorrente à época, mas ainda assim contou com uma boa assessoria para dirigir a campanha, e claro, sua experiência como sindicalista, com talento nato para negociar.


Prova maior disso é que mesmo sem eleger um único vereador, teve ao longo de seu mandato o apoio incondicional dos vereadores, enfrentando poucas e raras oposições para não se dizer nenhuma, para a aprovação de projetos de seu interesse, ainda que fosse para endividar a Prefeitura e deixar uma herança maldita para os administradores que o sucederão na Prefeitura.


O que já temos visto é propaganda extemporânea, troca de favores, leilão de pré-candidatos a vereador e até cadastros para receber algum benefício com exigência do título de eleitor o que é abominado pela Lei.


Com tantos abusos e o distanciamento da fiscalização eleitoral pela transferência da competência para Andradas, o eleitor deve ficar mais atento e exigente quanto a postura legal e moral do seu candidato, sabendo que se na disputa ele não respeita regras, por certo vai ignorá-las se vier a ser eleito nas urnas.


Diante do recado dos brasileiros quanto ao fim da corrupção, devemos manter a mesma vigilância em nossa cidade, pois uma cesta básica de hoje ou um saco de cimento ou uma cervejinha pode representar a falta de vaga na creche ou de pediatra ao seu filho, ou quem sabe um emprego ou vaga ao serviço público oferecida de forma isenta, firmado só na sua capacidade e formação técnica, pois assim a impessoalidade, legalidade, moralidade e transparência que a Constituição de 1988 exige para o trato da coisa pública passem a vigorar no lugar do parentesco ou favoritismo aos amigos e
companheiros.


Até porque, descobrimos o preço deste modelo com os saques aos cofres públicos, que refletem em hospitais sucateados e incapazes de nos socorrer agora, quando a falta de estrutura tem nos custado muitas vidas.

Por Emerson S. Fernandes – Jornalista

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