Os reflexos do Cononavírus também chegam ao cenário eleitoral, onde não se tem
definido sequer a data das eleições, o que já deveria ter sido definido para o inicio das
campanhas que já batem às nossas portas.

Além da proposta de serem realizadas no dia 6 de dezembro, há também uma
sugestão ainda não formalizada do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que o
primeiro turno ocorra no dia 15 de novembro. Isso sem se falar naqueles que já
defendem a prorrogação de mandados por dois anos como já aconteceu no passado,
unificando as eleições no País, o que particularmente não acredito que vá acontecer.

Independentemente da escolha da data para a realização das eleições, entendo que o
tema deva ser solucionado até meados de julho, pois com o início das convenções e a
escolha dos candidatos, a definição da data das eleições se mostra necessária para se
definir como será feita a campanha e­leitoral, que também deve sofrer mudanças, junto
do calendário eleitoral, de forma a se evitar prejuízos aos candidatos, pois os que
buscam a reeleição seriam beneficiados com o destaque natural decorrente do cargo,
enquanto os demais cairiam no esquecimento.

Pelo calendário atual, as convenções estão marcadas para o período entre 20 de julho
e 5 de agosto. A propaganda eleitoral, por sua vez, estaria liberada a partir de 16 de
agosto, enquanto o horário eleitoral no rádio e na televisão teria início dia 28 de agosto.
O Instituto Liberdade Digital, organização que coordena pesquisas ligadas a tecnologia
e políticas públicas, fez simulações do calendário eleitoral considerando três possíveis
datas: 15/11 (1º turno) e 6/12 (2º turno); 6/12 e 27/12; e 6/12 e 20/12.

No primeiro cenário, do dia 15 de novembro, a pesquisa considera que diplomar os
candidatos mantendo o atual intervalo temporal não é possível. Nesse caso, a solução
seria diminuir o tempo para a prestação de contas dos candidatos de 20 para 10 dias. A
segunda simulação considera inviável a realização de segundo turno no dia 27 de
dezembro, visto que es­tenderia os mandatos pa­ra além de 31 de dezembro.

No último cenário, o segundo turno seria possível, porém, com apenas sete dias de propaganda e quatro dias para prestação de contas daqueles que disputarem uma cadeira, seja ao legislativo ou ao executivo.

A meu ver, respeitar o tempo da campanha eleitoral é primordial para se garantir aos
eleitores um tempo adequados para a escolha do seu candidato; o que já será inovado
pelo modelo digital de divulgação das ideias e dos candidatos, por estarmos em um País
desigual onde nem todos têm acesso às redes sociais ou mesmo a um acesso a rede
mundial de computadores.

Uma campanha eleitoral reduzida beneficiaria aqueles que já ocupam cargos no
Legislativo ou Executivo, além daqueles que já têm uma presença digital definida, o que
colocaria candidatos mais tradicionalistas, porém de boas propostas em desvantagem, o
que refletiria em prejuízo aos eleitores.

E diante da pandemia que ainda assola o País, o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, já
se posicionou quanto ao fato que alguns processos serão realizados à distância, co­mo o
contato com os tribunais regionais e o treinamento de mesários, o que será feitos por
videoconferência. O TSE fala ainda em adotar algumas ferramentas tecnológicas que
reduzam os custos do processo eleitoral, mas o que tenho certeza é que as campanhas
continuarão sendo caras e quem vai pagar a conta no final será mesmo o eleitor.

Por José Vacir Côgo – Jornalista

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