Por Izadora Nicioli – Bióloga,

O que são os vírus? Por que são diferentes das bactérias? Para começar, os vírus podem infectar inclusive uma bactéria, pois esta possui célula e metabolismo próprio enquanto os vírus não. Mas como assim?
Para compreender isso tudo, vamos entender o que é uma célula: assim como a placenta, ela possui um envoltório protetor – o qual é formado por uma membrana e no seu interior conserva todos os componentes responsáveis pela vida. A célula tem elementos que realizam digestão, produzem energia, originam mais células e assim, concebem forma à estrutura dos seres vivos. Células também são microscópicas e dependendo do ser vivo ou da parte que formam (o intestino, a pele, o espermatozoide ou a folha, por exemplo) variam em sua composição. Como você pode imaginar, somos formados por trilhões delas.
Mas afinal de contas, como os vírus existem, se reproduzem e podem destruir outros organismos se eles não possuem uma célula? É aí que encontramos o ponto intrigante. Os vírus são formados por uma cápsula de proteínas envolvendo um material genético (DNA ou RNA). O material genético é o código da vida e cada organismo tem um diferente, é por causa dele, por exemplo, que você tem olhos pretos ou azuis, ele é herdado dos ancestrais e armazenado geralmente dentro das células. As proteínas, por sua vez, são estruturas formadas através da leitura desse código genético e possuem diversas funções dentro do organismo, desde estruturais até sinalizadoras. É por isso que as proteínas dos vírus são a porta de entrada deles no hospedeiro. Como os vírus não possuem células, a estratégia de sobrevivência desses seres é justamente usar as células dos hospedeiros para ler seu código genético e assim originar novos vírus. Para infectar o hospedeiro, os vírus encaixam suas proteínas nos receptores das células como uma chave em uma fechadura, que faz com que a porta da célula se abra e que o código de vida dos vírus seja introduzido.
Uma vez dentro da célula, o vírus perde a cápsula de proteínas e seu código de vida é lido e replicado, pois a célula reconhece esse código genético como sendo o seu próprio, mas na verdade está originando centenas de vírus. Todo esse sistema maluco é claramente muito prejudicial para o hospedeiro, que após algum tempo produz uma resposta imunológica. Essa resposta é quando as células especializadas para defesa reconhecem que algo está errado no organismo e recrutam agentes para combater e destruir os invasores. Nós seres humanos sentimos respostas imunológicas em forma de inflamações e febres, por exemplo.
A partir disso é mais fácil entender o quão diferente é um vírus de uma bactéria, pois além da bactéria ser maior que o vírus, ela possui uma célula própria (a qual é diferente da animal ou vegetal em sua organização) que tem plena capacidade de se reproduzir sozinha, fazendo-a por um processo chamado de divisão binária, onde uma célula duplica seu material genético e se reparte em duas, que logo se transformam em quatro e assim por diante. Apesar de existirem muitas bactérias prejudiciais à saúde, a maioria delas é benéfica, pois realizam diversos processos importantes como o de degradação da matéria morta que renova o ciclo de nutrientes na natureza ou até mesmo de fermentação, processo muito usado para a produção de iogurtes, cervejas, pães, etc. Aliás, você sabia que o organismo humano possui 10 vezes mais bactérias do que células? Essa é uma estimativa realmente incrível para nos instigar um pouco mais. No planeta Terra, tudo está conectado, vivemos o ciclo da natureza que depende de diversos fatores, os quais produzem um efeito cascata. Por isso é importante tentarmos entender cada vez mais sobre nós mesmos e o planeta em que vivemos, um planeta vivo.
Te espero na próxima!

 

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