Emerson Fernandes – Jornalista e Advogado.

Nossa cidade ostenta o título de Estância Hidromineral, mas ele não garante água de qualidade nem tampouco em volume suficiente para atender as necessidades dos jacutinguenses. A começar pela Estância dos Vieiras que recebe água sem nenhum tipo de tratamento, recebendo água bruta que é captada do ribeirão Taquaruçu para ser tratada e distribuída na cidade, o que coloca em risco a saúde dos moradores que são obrigados a usar desta água para a higiene pessoal, cozinhar e até consumo humano.
Por outro lado, vemos diariamente nas redes sociais moradores de todos os bairros da cidade denunciando a falta de água nas torneiras, e dizendo que esta situação se estende por até quatro dias consecutivos, impondo a estes moradores viverem o castigo da seca nordestina em outras épocas, já que até mesmo lá não se tem visto esta triste realidade, com os postos artesianos construídos pelo Exército e pelo Governo Federal na atual gestão.
Descobrimos por outro lado que o caminhão pipa da Prefeitura estaria sendo utilizado para levar água potável para molhar papelão em um depósito de reciclagem na cidade o que causa revolta.
O Município iniciou a construção de uma nova adutora – que, aliás, deveria ter sido concluída em setembro passado, pois o recurso foi cedido pela iniciativa privada com a promessa de conclusão até setembro passado – que reduzirá as percas decorrentes de vazamentos frequentes na antiga adutora, além de por fim a contaminação por chumbo e amianto do revestimento dos antigos dutos ainda utilizados que comprometia a boa qualidade da nossa água.
Mas precisam entender que esta obra não vai resolver a falta de água, e a desculpa de bomba queimada também não vai mais colar, pois recentemente a Prefeitura disse que havia colocado uma bomba reserva para evitar prejuízos assim, mas ao que parece todas as bombas queimaram né?
Vale lembrar que em 2004 o ex-prefeito Darci Cardoso ganhou a eleição com a promessa de que daria água de qualidade aos jacutinguenses e cumpriu sua promessa, pois construiu a represa da Verinha Forgati com água da serra para garantir o volume necessário à população na época, e no seu segundo mandato fez a nova captação na água espraiada elevando o volume de água captado.
Desde então, já se foram mais de uma década e nenhum litro de água foi acrescentado a captação de água em Jacutinga, e a população cresceu, e o consumo acima da média nacional continua impregnado nos jacutinguenses, que sempre tiveram água de sobra nas torneiras e não precisou economizar.
É preciso pensar em alternativas para o nosso abastecimento de água já que a população continua crescendo em ritmo acelerado pelo aporte de indústrias novas na cidade e pelo aumento de loteamentos por todo o município e até na zona rural.
Poderia se pensar no ribeirão Peniel ou mesmo no rio Mogi Guaçu, que tem uma água poluída até por metais pesados como chumbo e mercúrio, herança do garimpo do passado em Ouro Fino, mas que ainda pode ser tratada com as novas tecnologias hoje disponíveis.
O que não se pode é ficar inventando justificativas que todos sabem ser mentirosas, enquanto que as torneiras permanecem sem uma gota de água. E os vereadores que são os fiscais do povo – ou pelo menos deveria ser – deixem de aplaudir e apontem falhas e exijam soluções, pois eles podem fingir que não enxergar, mas a população está vendo.

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