Pela Jornalista Daniela Fernandes,

Não é novidade aqueles prêmios e títulos leiloados de melhor prefeito, melhor empresa do segmento tal, empresário do ano, e outros títulos que custam caro muitas das vezes, mas massageiam o ego de pessoas vaidosas que tem a necessidade de mostrarem algo que não é real, mas que elas mesmas acreditam.
Em uma breve busca pela internet, vimos que não faltam elogios para a multinacional Danone que há mais de 10 anos está envasando água em nosso município. E em uma das matérias, o titulo me chamou atenção: “Danone recebe reconhecimento por trabalho ambiental” postado por ABRE em 09/03/2020, que relata que a Danone recebeu uma pontuação de ‘triplo A’ da organização sem fins lucrativos CDB, por seus esforços ambientais no combate as mudanças climáticas, ao desmatamento e proteção dos ciclos da água.
Mas vale lembrar que há pouco tempo a Danone inaugurou uma estrada para escoamento da “sua” produção, ligando o distrito de São Luiz à sede da empresa Danone em Jacutinga, e os impactos ambientais desta obra foram visíveis a todos – embora, muitos, inclusive aqueles que tinham o dever de enxergar, fecharam os olhos.
Causa estranheza ainda no título concedido a esta multinacional que a escassez de água para a população é atribuída à empresa, já que a principal captação do município fica no Ribeirão Taquaruçu, que fica na região onde a empresa faz a captação e envasamento da “sua” água, pois inversamente proporcional a redução da vazão deste manancial, está o crescimento da produção da multinacional, facilmente detectada pelas dezenas de carretas que diariamente deixam Jacutinga levando a nossa água.
E embora estejamos passando por um período de estiagem, a falta de água em nossas torneiras e até na antiga Cachoeira da Danone, que dia a dia vem diminuindo estando literalmente por um fio, podem estar vinculado ao aumento dos pontos de captação de água explorados pela empresa.
Vale lembrar que em 2015 a empresa assinou um TAC – Termo de A­juste de Conduta, com o Ministério Público Estadual, que foi divulgado até por jornais de grande circulação como o Hoje em Dia, onde a empresa aceitou arcar com medidas compensatórias por danos causados pela exploração de água mineral em Jacutinga e pelos impactos causados na mata atlântica que compõe a flora do entorno da sede no valor de R$ 5 milhões.
Então o próprio Ministério Público pactuou que a empresa denominada ARPA iria administrar estes recursos que deveria ser revertido em benfeitorias e minimização dos impactos ambientais em nossa cidade. Porém, os “investimentos” feitos pela ARCA, não são visíveis, e estranhamento a “colaboradora” do MP que participava dos debates, passou a compor a empresa, que realizou um mega estudo de impactos ambientais, onde trouxeram profissionais de custos elevados, com hospedagem, alimentação e deslocamento, para averiguar o que precisava ser feito, o que qualquer cidadão local conseguiria enumerar em uma “proza de boteco” de forma gratuita. Foram feitas ainda, algumas bacias de contenção em algumas propriedades do seu entorno, obras com custos que não justificam os R$ 5 milhões do TAC. Parte dos recursos foram gastos ainda em veículos, sede, etc; nada palpável frente aos R$ 5 milhões, restando apenas o discurso bonito sem as necessárias obras. Que triste.

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