As baixas temperaturas registradas nas últimas semanas no Sul de Minas trouxeram prejuízos à cafeicultura e ainda preocupa os produtores que não tiveram suas lavouras dizimadas pela geada, pois a previsão é que as temperaturas caiam ainda mais nas próximas semanas. As previsões climáticas preveem ainda chuvas abaixo da média e temperaturas próximas de 0º.
Já em cidades que vivem do turismo como Jacutinga o frio também significa bons ganhos, seja pelo aumento das vendas de malhas, seja pela vinda de turistas que aquecem a economia regional.

Parte negativa do frio
O boletim agro climatológico do Instituto Nacional de Meteorologia, prevê que os próximos três meses terão chuva abaixo da média e temperaturas dentro da normalidade, ou seja, abaixo ou perto de 0ºC durante a madrugada, em muitos pontos da região.
Cada vez que a previsão indica queda brusca na temperatura, produtores rurais ficam de cabelo em pé com a possibilidade de geadas, que já vem mudando a paisagem na região, com cafezais dizimados pelo frio. No caso dos cafezais, é possível tomar alguma precaução, como explica o engenheiro agrônomo Silvio Luis de Almeida, que integra a Minasul, cooperativa dos cafeicultores da região de Varginha. “As lavouras de café ainda novas, com até dois anos de idade, a primeira coisa é a chegada de terra junto a base das mudas, que vai proteger uma boa parte do caule para prevenir contra a geada. Outra coisa que pode ser feita é manter a superfície do terreno livre de mato e restos, deixando o solo exposto para que durante o dia possa ser absolvido o calor do sol e diminuir os efeitos do frio durante a noite. Essa medida de manter o solo limpo pode ser feita, principalmente, na parte mais baixa do terreno onde o risco de geada é maior”, explicou o engenheiro.
Parte positiva do frio
Se o frio deixa apreensivo os agricultores e os cafeicultores que em especial mais sofrem com as geadas, trás esperança de bons negócios para o setor de turismo, como em Jacutinga, onde o frio intenso sempre foi sinônimo de bons negócios.
Mas outras cidades da região também celebram o frio intenso, pois é no inverno que elas recebem mais visitantes, entre elas o município de Camanducaia, que tem o distrito de Monte Verde, tido como a Suíça brasileira.
Na última semana a temperatura mínima esteve em torno de dois graus por lá. Este será o segundo inverno da pandemia, mas o local está preparado, como explica o secretário Municipal de Turismo de Camanducaia, Bruno Rosa, que também é empresário do ramo de hotelaria. “A nossa expectativa é boa com a retomada (do turismo). Estamos fazendo com segurança, com barreiras de controle na entrada de Monte Verde. Isso também traz segurança para o turista”, avaliou Bruno.
Praticamente todos os pontos turísticos das cidades da região que tem o frio como atração estão abertos aqui na região, mas sempre com restrição de público e muito cuidado desde a entrada até a saída dos visitantes – com exceção de Jacutinga, que não tem atuado efetivamente para se conter o avanço do Covid e conta apenas com a consciência dos visitantes para este resultado, até mesmo pelos horários diferenciados que os ônibus chegam na cidade.
Perspectivas
Se por um lado a próxima safra de café esteja bastante comprometida, os preços do produto no mercado internacional tendem a subir de forma expressiva, e aqueles que não tiveram suas lavouras comprometidas conseguirão um lucro maior, o que deverá ocorrer nos próximos dois anos, prazo necessário para a recomposição das lavouras.
Assim, a grosso modo, ao menos neste inverno que se mostra mais rigoroso, a economia tende a esquentar, pois além do café de excelente qualidade que produzimos no Sul de Minas, temos uma gastronomia atraente e já reconhecida, além é claro de nossas malhas que são o carro chefe de nossa economia e tem ganhado espaço tanto do Brasil quanto no exterior, pois o know how de Jacutinga vem se destacando também lá fora, graças ao talento e a atualização constante de nossos malharistas que sabem bem o que fazem.

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