Coluna Painel
Edição 195 – Página 05

Por Emerson S. Fernandes – Jornalista

Na última sexta-feira, 1º de Maio, foi o feriado do Dia do Trabalho; algo que deveria ser motivo de alegria para os trabalhadores, seria um dia ficar em casa e reunir com os amigos para celebrar outro feriado prolongado, ou quem sabe descer para o litoral ou até visitar a família; final, nem sempre temos um final de semana prolongado para poder proporcionar algo diferente para a família.

Mas este ano tudo ficou diferente; o ficar em casa não atrai mais ninguém, não se pode viajar e nem dinheiro para isto sobrou, pelo fato de que o pouco que ainda tem é pa­ra garantir o pão para amanhã, e as contas e as faturas que esperem, pois a prioridade é a sobrevivência, já que uma certidão do Serasa não garante uma dispensa farta, e sim um emprego fixo de carteira assinada; a estabilidade de um concurso público; ou uma empresa pujante e moderna com um bom faturamento.

Mas de uma hora para outra, tudo isto deixou de ser garantia de sobrevivência, já que o vírus não respeita status sociais ou a nobreza, seja de berço ou conquistada pelos cifrões que conquistou ao longo da sua vida.

Tudo está parado, todos dentro de casa como um interminável feriado prolongado, mas em final de mês, sem dinheiro no bolso e com risco do cartão não ter limite para o lanche de final de noite.

O que temos a comemorar? Se o trabalhador não sabe se terá emprego amanhã ou mesmo seu salário para garantir que a fome não seja companheira de viagem; e até os servidores públicos não sabe o que será do amanhã, já que em condições normais o 13º sempre foi uma novela, e agora o seu salário corre o risco de não cair na conta no começo do mês, ou quem sabe, ser parcelado como já vem ocorrendo com os militares mineiros antes mesmo da pandemia.

O que comemorar se o País tem registrado recorde de demissões e as férias coletivas sendo revertidas em dispensa injustificada. E o que é pior, com o fim da produção e desaquecimento da economia, sequer o acerto de final de contrato está ga­rantido, a começar pela multa do FGTS que tende a ser salgada para os patrões aos funcionários mais antigos da casa.

E até quanto o governo terá recursos para se custear os direitos garantidos em lei? Quando chega o desespero e a fome, o que tende a crescer é a violência e o fim da paz, e de nada adianta reclamar, já que não dá para se tirar leite de pedra.

A verdade é que até o jogo de futebol sem graça do dia 1º de Maio e o churrasco minguado pelo fato do pagamento ainda não ter caído na conta é de causar saudades, pois pelo menos sabiam que o salário estaria na conta no 5º dia útil, ou pelo menos que as vendas melhorarão com o salário caindo na conta dos clientes.

Que nos apeguemos a Deus, pois se não for Ele, ninguém mais pode fazer algo por nós, pois o inimigo é invisível, e ninguém pode garantir o nosso futuro, senão o Deus invisível mas real.

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